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Venus de Fezes


Na boa. Vamos ser sinceros aqui. Quantos de vocês gastariam 45 mil dólares para ter em casa uma estátua da réplica de Venus de Milo toda feita de FEZES DE PANDA? Não? Ninguém? E se você fosse milionário? Não? Também não compraria?

Pois é, uma fera metida a cool, colecionadora de obras de arte contemporânea comprou essa maravilha. A obra foi elaborada por crianças que moram em uma região que é considerada um santuário de pandas. Quando você fica sabendo dessa parte, você até tenta achar fofo e menos nojento, mas NÃO DÁ. Vem aquela imagem na minha cabeça de crianças mexendo em fezes e aquilo vai embrulhando meu estômago de uma maneira que me faz odiar a ideia. Como se não bastasse, a réplica foi exposta em um museu (OK) e os admiradores afirmaram que o cheiro é AGRADÁVEL. A minha teoria de que todo mundo deveria ir ao psicólogo, assim como vai a academia é valida. As pessoas deveriam buscar uma melhoria da saúde mental, assim como elas procuram a melhora física. O povo tem que cuidar da cabeça.

O pior de tudo, é essa réplica custar 45 mil dólares e algum lunático especialista em obras contemporâneas COMPRAR. Quando eu digo que é fácil ser rico, ninguém acredita. Se eu for polemica e criar algo chocante e diferente, eu fico famosa. Só está me faltando uma ideia brilhante e bizarra… Difícil é pensar em algo que algum louco já não tenha feito.

We love SUSHI


O tédio também pode ser útil. O tédio sempre me faz descobrir coisas maravilhosas na internet. Não maravilhosas no sentido real da palavra, mas no sentido irônico. Eu fico jogando algumas palavras no Google para ver no que dá. Tirando os dicionários que são bem úteis de verdade, a melhor coisa para morrer de rir é aquele Yahoo Aswers. Você já deve ter visto, claro. As maravilhas do Yahoo em português são os erros de gramática que muitas vezes as pessoas que respondem não se aguentam e dão uma boa sacanaeada na coitada da pessoa que quer tirar uma dúvida. Porém, na minha opinião os vencedores das perguntas mais incríveis são os americanos. Essa gente aqui na parte Norte do continente realmente me assusta quando o assunto é “coisas retardadas”. Se tivermos uma disputa entre um brasileiro e um americano, o americano sempre vence no quesito “mongol”. Sem querer ser preconceituosa, mas já sendo, os americanos são aqueles que sempre tem as ideias mais absurdas e que em 120% casos resultam em consequências desastrosas. Não é a toa que os EUA é o país campeão de programas na televisão com pegadinhas pesadas e de extremo mau gosto.

Quando fico procrastinando, jogo no Google a primeira coisa que vem a minha cabeça. Por exemplo, ontem eu estava com uma vontade louca de comer sushi e lá fui eu no Google: “DESEJO DE COMER SUSHI”. A primeira coisa que apareceu foi uma garota americana perguntando: “Estou desejando comer sushi loucamente. Quero comer sushi todo dia, toda hora, principalmente salmão. Estou com algum problema?”. SIM. Meu bem, seu problema é pior do que o meu. Eu ia dizer que ela está com falta do que fazer, mas eu também estou. Então, o caso dela é mais sério do que o meu. Fiquei inconformada com o tempo que essa garota gastou para entrar na internet, se cadastrar no Yahoo e fazer essa pergunta. Lamentável. Fiquei uns minutos refletindo o problema dessa garota, até que eu me deparo com respostas do tipo: “Provavelmente você está sentindo falta de algumas vitaminas na alimentação” ou “Se você comer muito, vai cansar de comer e depois vai enjoar e assim, parar de comer sushi” ou “Relaxa, um dia eu fiquei com desejo de comer sal grosso e passei o dia todo comendo. Depois passou”. SÉRIO? Eu fico com vontade de MATAR essas pessoas. Tá. Matar não, porque depois ficam me julgado por aí que eu sou sem paciência, estressada e que escrevo tudo o que eu penso. Mas, bem que essas pessoas podiam levar um soquinho na cara, ou escorregar numa casca de banana, um empurrão… alguma coisa que as acordassem para a vida real. O cara que respondeu que ficou comendo sal grosso o dia todo conseguiu superar o nível de imbecilidade da garota que acreditou ser um problema desejar comer sushi diariamente. Na realidade, me dá vontade de responder: “Continue comendo sal grosso que vai fazer muito bem para a sua pele”. As pessoas acreditam em tudo que está na internet, não é mesmo?

Se você, que como eu, está procrastinando e quer se divertir vá em: http://artoftrolling.memebase.com/category/yahoo-answer-fails/

Só sei que depois de tanto falar em sushi fiquei morrendo de vontade de comer um California Roll. Será que estou com algum problema?

Rio de Janeiro, slow the flow!


“Pô, cara! A violência no Rio de Janeiro tá horrível. Não dá pra sair de casa”.

“Pô, brother. Me amarrei em Tropa de Elite. Irado!”

Essas duas frases são bastante comuns e escuto/leio isso de muitos playboys, filhinhos(as) de papai que sobem o morro de vez em quando para comprar droga.

Eu fico evitando falar sobre esses assuntos, pois é obvio que conheço várias pessoas que fazem uso de drogas, assim como todo mundo hoje em dia tem um amigo que usa maconha. Eu não sou contra a maconha. Inclusive as pessoas adoram dizer que são a favor da liberação da maconha, pois isso ia acabar com o tráfico. Isso não é verdade, pois se a maconha for legalizada, os bandidos vão traficar cocaína e se um dia a cocaína for liberada, vão traficar heroína, e assim por diante.

É claro que eu não acredito que a culpa principal é de quem compra maconha com esses traficantes. Os playboys que compram  maconha estão incentivando essa confusão toda que está acontecendo no Rio de Janeiro, mas não são os primeiros a serem culpados. Devemos entender a causa primeira de todo esse problema e creio que ele começa onde os interesses dos políticos terminam: na educação desse país. Se quem é pobre não tem condição de estudar e não tem um exemplo bom a seguir na vida, ele vai escolher o caminho mais rápido e fácil. Se o ensino é fraco, se faltam professores nas escolas, se é fácil “passar de ano” na escola, como é que uma pessoa tem condições de passar no vestibular? NÃO TEM. A pessoa pode até tentar o vestibular, mas não passa, pois o ensino lá no início da vida foi fraco. Geralmente as pessoas que são financeiramente desfavorecidas não têm grandes exemplos profissionais ao redor. Dificilmente você vê alguém na favela que é médico, engenheiro ou advogado. As chances de isso existir são mínimas. Não quero dizer que não existem, pois eu também não tenho conhecimento suficiente sobre o que acontece dentro da favela.

Sempre acreditei no poder na educação e acho que ela tem forças o suficiente para mudar o mundo e levar um país para frente. Na minha opinião, se fosse implantado um sistema de educação melhor no Brasil, veríamos muitas coisas melhorarem. Por exemplo, teríamos menos crianças nas ruas passando fome, frio e se expondo a doenças e a violência principalmente. Como não fazemos parte do governo e fica um pouco longe do nosso alcance querer mudar o sistema de educação, poderíamos fazer a nossa parte. Como eu disse no início desse post, eu não sou contra a maconha. Não uso, porque não gosto, mas isso é um problema só meu também. Quem quer fumar, que fume. Agora, quem quer fumar e se preocupa com o futuro do nosso país, que PLANTE. E eu não estou me referindo a plantar como uma espécie de propaganda que todo mundo adora fazer. Eu não quero ser mais uma no meio de 1 milhão de pessoas que dizem isso só por apologia. Por mais piegas que “PLANTE” possa parecer, eu só digo “PLANTE”, pois se trata de uma questão de preocupação pessoal com a segurança do nosso país. SÓ ISSO.

Voltando ao meu ponto principal, se alguma pessoa quer se estragar que se estrague sozinha em casa. A mesma coisa eu acho de quem bebe e dirige e ainda põe um monte de gente dentro do carro. Isso é não ter o menor respeito pela vida alheia, e é isso que falta nesse mundo. Respeito pela vida. Se alguma pessoa quer se matar, quer usar maconha, quer se drogar, quer beber até cair, por mim tanto faz. Só acho errado comprometer a vida dos outros por conta de escolhas nossas. Por isso que eu digo e repito, quer usar maconha, PLANTA! Parem de ficar incentivando essa guerra toda no Rio de Janeiro. Eu sei que não é só a maconha que está envolvida nesse jogo, tem cocaína também, e eu também não acharia errado que as pessoas produzissem a própria cocaína em casa e usassem. O problema é vender e transformar isso num problema que envolva outras pessoas.

Comparando mal e porcamente, é como a pirataria. Se eu faço download de músicas na internet e escuto no meu iPod, isso é um problema só meu (e também dos artistas que permitem que seus álbuns custem 40 reais hoje em dia). O problema é quando eu começo a envolver outras pessoas e vendo essas músicas por um preço muito mais barato do que o CD original. Isso é querer burlar e romper as regras estabelecidas por uma sociedade. Não adianta querer discutir esses assuntos, pois um mundo onde todas as regras são obedecidas é estranho e certamente iria causar um outro tipo de comoção. Eu vejo pro exemplo, a diferença entre os países. Observo que aqui em Utah a vida é mansa e os problemas nem se comparam com os problemas que temos no Brasil, e estranhamente o índice de suicido e pessoas que fazem maluquices pela rua são muito maiores nesses lugares onde a vida é mais calma. Não adianta! O ser humano precisa de adrenalina!

Aqui em Utah é muito difícil ver um assalto e quando acontece nunca é um cara com um revolver na sua cabeça. O assalto acontece quando você não está vendo, pois apesar do cara querer te roubar, ele também tem muito medo de ser pego, pois eles, apesar dos pesares, têm respeito pela própria vida em um geral. No Brasil, os traficantes não têm medo de nada, não temem pela própria vida, ou seja, nunca terão respeito por droga nenhuma se eles não são capazes de dar valor ao que eles têm de mais valioso: a VIDA.

Na verdade, como é que eles podem fazer tanta questão de continuarem vivos se eles não enxergam um futuro promissor? Se eles não têm direito a um bom estudo desde pequenos? Se eles que são financeiramente desfavorecidos, não possuem os mesmos direitos que nós que temos dinheiro para pagar uma boa escola temos?

O Rio de Janeiro está contaminado com a doença do descaso. Vai ser difícil encontrar a cura dessa doença e acabar com o que causa essa contaminação. Porém, temos o poder de ir diminuindo a febre que nos atinge aos poucos.

Não deixem que as pessoas ao nosso redor sejam atingidas por escolhas (de preferência erradas) nossas. Uma escolha sua está sempre ligada ao destino de outra pessoa. Isso vale para qualquer coisa na vida.

PS: Só para não perder o costume “Letícia” de ser, se você que compra droga e achou esse post ridículo, é porque você é um IDIOTA! E se você compra drogas e mesmo assim gostou desse post, você é tão IDIOTA quanto.


Meu blog não teria a menor graça se não fossem as minhas reclamações, e é por esse motivo que eu estou aqui mais uma vez para reclamar e encher os ouvidos (os olhos) de vocês. Fiquem tranquilos, pois a história de hoje não vai doer em vocês o tanto que doeu em mim.

A gente não pode ter vergonha de assumir que certas coisas não combinam com a nossa natureza. Não é uma questão de pessimismo e falta de coragem… é simplesmente enxergar que uns nasceram para surfar, escalar montanhas e andar de snowboard enquanto outros nasceram para ficar na paz do lar escrevendo ou no máximo dirigindo até o trabalho.

Não sou muito aventureira, na verdade não sou NADA aventureira. Não gosto de emoções fortes e frio na barriga. DETESTO, para ser sincera. Porém, resolvi que ia dar uma de radical e tentar andar de snowboard no final de semana. O fato de eu ser uma droga para esportes e mal conseguir ficar em pé sozinha não é nada. O importante é que além de tudo isso, eu sou muito distraída e fraca (sinceramente não sei como eu adoro aulas de musculação). Quando eu estava pronta para tirar a prancha, escorreguei e cai no chão. Pronto? Já parou de rir? Não? Quer mais uns 5 minutos para continuar rindo? Tudo bem, eu aguardo…

Acabou? Ótimo. Continuando… Como se não bastasse ter caído no chão enquanto eu estava parada, eu caí com o cóccix no chão. Eu juro por tudo quanto é mais sagrado que nunca senti uma dor tão terrível na vida. A sensação é de que eu havia quebrado a coluna e que nunca mais andaria. Fiquei ali no chão gritando e chorando. Cena ridícula, mas eu não me importo de contar. Para quem lê é sempre divertido, né? É ótimo rir da desgraça alheia. Então, meu marido, como um ótimo marido, entrou em pânico e resolveu me levar num hospital. Crente crente da vida que ia chegar num Copa D’ or da vida e ser atendida de cara, fiquei foi de cara no chão quando a mulher da recepção me disse que eu deveria esperar. Peraí. Eu entrei na parte de EMERGÊNCIA do hospital e a mulher disse para aguardar. “Querida, eu não posso sentar, não posso ficar em pé. Não sei se quebrei o cóccix. Você entende?”. Ela diz: “SORRY”. Odeio “SORRY”.

Depois de 2 horas fazendo agachamentos (sim, afinal sentei e levantei umas mil vezes, porque eu não sabia o que era melhor para minha dor), finalmente o médico me chamou. Expliquei tudo, ele fez cara de pena e me deu uma bolsa de gelo, e com uma cara de dó disse: “Eu não sou o médico, sou o enfermeiro. Fica com essa bolsa de gelo nas costas até o médico chegar, ok? SORRY”. Maldito “SORRY”.

Deitei na cama e meu marido ficou segurando a bolsa de gelo nas minhas costas. Depois de 1 hora, aparece o médico. Ele senta do meu lado, faz muitas caras e bocas de pena. Mexe na minha perna e pergunta se eu estou conseguindo sentir. Comecei a ficar nervosa. Ele fez vários testes para ver se eu ainda tinha os movimentos das pernas. Ele diz que está tudo bem aparentemente. Odeio “aparentemente”. Essa palavra sempre vem acompanhada de um “mas…pode ser que…”. Ele sai da sala dizendo: “O radiologista já vem te buscar para fazer uns testes, ok?”

Tudo bem, tudo bem, tudo bem. 1 hora depois aparece o radiologista dizendo para eu não me levantar, pois ele ia me levar de MACA até a sala de raio-x. Meu Deus…a coisa parecia séria e meu pânico foi aumentando e meu marido disse: “Vai de maca? Essa vou ter que filmar”. Onde está a graça? Quando terminamos os testes, perguntei se ele via alguma coisa de estranho e ele respondeu: “Aparentemente não…”. Ai, meus sais…APARENTEMENTE…aparentemente….

Ele me levou na maca de volta para o quarto. E por lá fiquei mais 4 horas. A cada 1 hora vinha alguém perguntar se estava tudo bem e dizer que o médico ainda não tinha chegado para me dar atenção e pedir SORRY mais uma vez. Aquele cara que eu achei ser o médico, era só o residente. Várias pessoas vinham falar comigo, mas nenhuma delas era o médico. Veio um cara do seguro de saúde cobrar a consulta, veio uma senhora me oferecer água, veio residente novamente perguntar se eu queria assistir televisão, veio uma mulher que parecia gerente do hospital pedir SORRY pela demora do médico… enfim, todo mundo veio dar o ar da graça, menos o personagem principal. Meu marido estava ficando, digamos, bem irritado, e resolveu abrir a porta e ficar parado em pé esperando alguém vir me dizer o que estava acontecendo comigo afinal. Depois de termos pago a maravilhosa quantia de 200 dólares, isso porque temos seguro de saúde aqui, resolvemos ir embora. Eu já estava surtando querendo matar alguém. Falei para o residente que aquilo era um total absurdo, porque eu estava há 6 horas ali para saber o que estava acontecendo comigo e que nem no Brasil o atendimento era tão ridículo. O cara ficou com vergonha. Deve ter pensado: “Nossa, se ela disse que nosso atendimento é pior do que no Brasil é porque a coisa aqui está feia”. Realmente. Nem quando eu ia para a Policlínica de Botafogo eu era tão mal atendida. O residente pediu que a gente não fosse embora. Falou que tinham visto meu raio-x e que APARENTEMENTE eu não tinha quebrado nada. Ele me passou uma receita com analgésicos e eu fui para casa. Ah! Antes que eu termine a história… esqueci de contar que o médico apareceu por 3 minutos para ver minha RESPIRAÇÃO. Falou umas 5 palavras que eu nem lembro mais e foi embora do quarto. Quando eu estava saindo ele apareceu e disse: “SORRY…tenham uma boa noite”. Respondi: “OK”. Fiquei com tanta raiva daquilo que era capaz de eu mandar todo mundo para aquele lugar, sabe?! É surreal pensar que se eu tivesse realmente quebrado alguma coisa eu teria ficado horas em pé esperando ser atendida e teria ficado largada morrendo de dor da mesma maneira. Nunca pensei que o sistema de saúde nos EUA fosse tão falho, mesmo com seguro de saúde. Bem que Michael Moore me avisou…

Sei que fui na farmácia encomendar meu remédio e meu seguro de saúde me deu um desconto MARAVILHOSO de 1 e 99 na compra do remédio. Não pode ser mais ridículo.

Curta e grossa


Eu não sei o que acontece comigo por essas terras do Tio Sam.

Fui criada uma parte da vida em Pelotas, cidade onde nem tinha Mac Donald’s há um tempo atrás, e outra boa parte no Rio de Janeiro, onde Ronald Mac Donald vai para casa depois da meia noite com medo de ter o seu hamburger surrupiado. Aprendi a ser quieta no Sul e estressada no Sudeste. Com isso, posso dizer que aprendi a não falar muito o que penso, apesar das palavras explodirem dentro da minha cabeça.

De repente, venho parar nessa terra onde 1 da manhã não se vende mais bebida alcoólica e me deparo com uma pessoa mais segura das próprias palavras. EU. Eu que sempre quis responder ao flanelinha na Rua Visconde de Pirajá, mas não tive coragem: “a rua não tem dono, e eu não sou obrigada a te dar nem 1 centavo”, começo a reparar na audácia das minhas frases curtas e grossas que causam uma certa comoção na pessoas daqui.

Carioca é malandro e mulher também. A mulher carioca é duas vezes malandra, mas na Terra do Dólar, quem fala mais alto é a polícia, e em 3 segundos ela cala a sua boca se for preciso. Portanto, dificilmente alguém reage contra você, pois tem medo de ser preso. Pelo menos, é o que eu vejo aqui em Salt Lake City. A diferença é que No Rio de Janeiro, quando a polícia se aproxima é a hora de dar no pé.

Ontem eu estava saindo do carro e um garoto se aproximou dizendo que precisava de dinheiro, e perguntou: “Você promete que não vai gritar que nem as outras pessoas?”. E calmamente eu respondi com um sorriso no rosto: “Depende, né?”. Ele riu sem graça e continuou a explicar a situação dele: “Eu sou do Arizona e eu tenho um trabalho lá. Vim para Salt Lake City de carona com um cara. O cara estava bêbado. A polícia nos parou. Agora ele está preso. Não tenho dinheiro para tirá-lo da prisão, não tenho dinheiro para voltar para casa e não tenho dinheiro para pagar o hotel que estou passando a noite”. Ele explicou tudo isso de uma forma tão rápida, que mesmo que fosse mentira ele mereceu os 5 dólares que eu dei. Afinal, o cara tem uma ótima lábia e sabe se expressar muito bem. Parabéns, toma 5 dólares, pois você tem que ir não pro Arizona, mas para Hollywood! Brincadeiras a parte, confesso que acreditei nele e resolvi ajudar. Se for mentira, tudo bem. Deus está vendo que eu sou uma boa pessoa.  O que eu achei incrível da minha parte é que eu nunca teria respondido no Rio de Janeiro “DEPENDE”. De fato, eu ficaria bem quieta e esperaria o cara terminar de falar, pois qualquer gracinha que eu respondesse, poderia ser o meu fim.

Outro dia fui fazer meu teste de direção. Como uma boa brasileira que sou, cheguei 10 minutos atrasada. A pessoa que iria aplicar a prova disse: “Você tem noção de que está atrasada? Percebe que vai ter que remarcar a prova para outro dia?”. Em 5 segundos pensei que era uma grande sacanagem eu ter acordado tão cedo, me perdido na rua para tentar achar o local da prova para a figura dizer na minha cara que eu deveria voltar outro dia. Prontamente eu respondi com um ar de raiva: “Acredito que 10 minutos seja um atraso tolerável”. Ela fechou a cara e disse: “Me encontra do lado de fora para fazermos o teste”. Quando acabou a prova (e para os curiosos: eu passei!) e eu pude respirar aliviada, pensei: “Como é que eu falei com aquela pessoa daquele jeito?”. No Rio eu não era tão abusada…

Só sei que eu me surpreendo cada vez mais comigo mesma.

Sinceridade


Eu sei que só para variar, eu ia escrever alguma reclamação sobre a vida, o mundo e as pessoas, mas resolvi respirar fundo e levar meu cachorro para passear. (Engraçado o poder que os animais têm, não é? Pelo menos comigo é fácil assim: chego em casa triste e querendo que o mundo exploda. Abro a porta e meu cachorro está lá sentado me olhando e me esperando, tudo isso SÓ para ganhar um carinho na barriga. Os animais são tão inocentes e carregam um ar de paz no olhar que faz com que qualquer ser humano estressado amoleça. E assim, eu fico em paz com o mundo a cada vez que ele chega perto querendo atenção. É a simplicidade. É o se contentar apenas com um pouquinho de carinho que já os torna felizes. Eu deveria pensar mais como os cachorros).

Foi então que, depois de um dia estressante levei o Mac para cheirar a grama da vizinhança. Como de costume, segurei firme na coleira, pois como ele é um cachorro muito alegre e simpático, não pode ver uma pessoa sequer na rua passeando que ele quer ir atrás (coisa que me irrita, mas tudo bem). De repente, notei um rapaz cego parado no ponto de ônibus. Aquilo me chamou a atenção e fiquei sofrendo uma vontade louca de ir até lá perguntar se ele precisava de ajuda. Acho que o Mac pensou o mesmo, pois ele me puxou tão forte para cima do rapaz, que minha mão ardia pela força que eu fazia ao segurar a coleira. O rapaz pôde ouvir que eu estava com um cachorro, pois o Mac não parava de me arrastar pelas folhas secas que estavam por toda a parte. Ele virou para trás, abriu um sorriso e perguntou: “Você se importa se eu fizer carinho nele? Será que posso fazer carinho nele? Tudo bem se você não quiser”. Sorri de volta, apesar dele não poder ver, aposto que ele percebeu que eu sorria, pois o sorriso dele não parava de crescer. Levei o Mac até o ponto de ônibus para que ele pudesse fazer carinho nele. O cachorro pulava enlouquecidamente em cima do rapaz e ele não parava de rir de tanta alegria. Aquilo me contagiou. Ele deu a mão e o rosto para que o Mac pudesse lamber, e quanto mais o rapaz ria, mais o Mac pulava e o lambia.

Finalmente, o Mac cansou e deitou na grama ao lado do rapaz. Ele respirou fundo, como quem havia se divertido muito… a ponto de ficar ofegante. Ele se recompôs e me disse: “Ganhei meu dia. Vocês fizeram meu dia mais feliz. Era só isso que eu precisava… eu só precisa de carinho”. Eu não sabia se sorria ou chorava. Senti uma espécie de dor no coração, e uma pontada de alegria por ter proporcionado um momento de felicidade para alguém que tanto precisava. Parece até mentira que isso de fato aconteceu comigo hoje. Bem possível imaginar um filme assim: Sean Pean como o rapaz e, digamos, Sandra Bullock, saindo da linha humor babaca, representando minha figura atrapalhada e sentimental. Viagens a parte…

Mais uma vez me pego pensando o quanto eu reclamo à toa da vida. É o mal do ser humano querer sempre mais e reclamar do que não tem, ao invés de ficar feliz com as coisas que possui. Não tem como mudar isso. Não adianta eu ficar aqui pregando uma filosofia de que devemos ser gratos pela nossa cama quentinha, família, saúde, amor e blá blá blá. Isso é papo para teoria, porque na realidade não se aplica. Nós só damos valor às coisas quando as perdemos. E assim será… e é assim que amadurecemos. Infelizmente… ou não, quem sabe?

Mesmo quando tudo está uma droga, só de saber que somos queridos e amados nos faz muito maior. Somos ser humanos muito melhores quando proporcionamos alegria a outras pessoas e sentimos o quanto somos importante para elas. Podemos não ter muito dinheiro e nem muitos contatos profissionais, mas se conseguimos proporcionar sorrisos àqueles que nos são importantes, metade da vida está ganha. Muitas vezes, a gente só precisa de um pouco de carinho sincero… assim como o de um cachorro.

MacDog Puppy


Como a maioria das mulheres, eu sempre quis ter filhos. Sempre me imaginei brincando com meu bebêzinho lindo, botando pra dormir, dando comidinha, tudo muito lindo e tudo muito fofinho e gostosinho e tudo mais de “inho” que há nesse mundo. Como eu tenho a plena noção de que não dá para ter um filho agora, decidi adotar um cachorrinho. Me lembro do dia que fui lá na feira e fiquei louca com tantos cachorrinhos latindo e pedindo pelo amor de Deus para sair dali. No meio de um milhão deles e depois de ter dado umas 100 voltas na feira, bati meus olhos em um pequeno peludinho preto e branco. Era o único que não latia desesperadamente. Ele estava em pé, olhando para os lados com uma carinha de “não estou entendendo nada”. Eu olhei pra ele, ele olhou pra mim e ficamos em silêncio. Meus olhos encheram de lágrimas e eu disse: “eu quero esse e quero AGORA”. Meu marido perguntou: “Você tem certeza? A gente vai viajar e o que vamos fazer quando sei lá o que acontecer e blá blá blá…”. Eu não ouvia mais nada. Eu queria o cachorro com a maior das certezas do mundo de que eu ia dar conta de absolutamente tudo. Tudo ia se resolver, tudo ia dar certo. Eu já estava de saco cheio dessa minha mania de pensar um trilhão de vezes antes de fazer as coisas que eu quero muito. Por toda minha vida eu esperei esse dia: o dia que eu teria um cachorro. Pode parecer ridículo para alguns, mas minha mãe nunca permitiu que tivéssemos cachorro em casa, e eu jurei pra ela que assim que eu saísse de casa eu teria um. Dito e feito. Lá estava eu assistindo meu marido assinar os papéis de adoção enquanto eu ficava com a cara grudada na gaiolinha onde ele estava. A moça perguntou se eu queria segurá-lo. Eu estava nervosa como uma criancinha. Ela pegou a criatura e me deu. Ele estava cheirosinho e tive que controlar meu instintos “Felícia dos Tyne Toons” para não esmagá-lo. Ele estava mole e parecia muito cansado. Peguei uns biscoitinhos e o coloquei no meu colo dentro do carro. Ele veio o caminho todo devorando loucamente os biscoitos. Resolvemos que o nome dele seria Mac, pois somos todos viciados em Apple aqui em casa. Coloquei o Mac na caminha nova e ali ele ficou quase que o dia todo. Não quis brincar, não quis fazer nada…só comer e dormir. Comecei a sentir preocupações de mãe: “será que ele está doente? será que ele está triste?”

Impaciente, levei o Mac na veterinária. Ela me disse que foi muita sorte nós termos adotado o pobrezinho, pois ele tinha sido, provavelmente, muito maltratado onde ele estava antes. E que se nós não tivéssemos feito essa boa ação, ele iria morrer, pois estava muito fraco. Quase chorei. Porém, a notícia boa é que ele não tinha nada. Ele só precisava de carinho, comida e cama. Foi o que fiz. Comprei vitaminas, brinquedos, diferentes rações, ossinhos com gosto de galinha, de bacon e sei lá mais o que.

Lembro que no dia que eu peguei o Mac a moça da feira me disse: “estou vendo que esse cachorro vai ser muito mimado”. E não deu outra… acho que o Mac é o cachorro mais mimado do universo. Ele é um Border Collie, para quem não o conhece ainda, e dizem que é a raça mais inteligente que existe. De fato, fiquei muito impressionada com a rapidez que ele aprendeu onde fazer xixi. No mesmo dia já estava fazendo no lugar que tínhamos escolhido para ele.

Eu poderia passar o dia todo falando de todas as coisas que aconteceram com ele, tanto as boas quanto as ruins. Mas, esse post foi só para dizer que a melhor coisa antes de ter um filho é ter um cachorro. Assim, você testa sua paciência e capacidade de lidar com todos os problemas, como por exemplo: vômitos, diárreias, bagunça, choros, ciúmes, coisas destruídas pela casa…concluindo: VAI DEMORAR MUITO PARA EU TER UM FILHO!

Perigo Constante!


Uma mulher + um cartão + livre acesso a Internet = perigo constante para o bolso!

Como toda mulher eu AMO fazer compras, principalmente de roupa. Porém, me pego totalmente sem paciência para fazer pescaria nas lojas. Entro e em menos de 10 minutos, saio. Simplesmente perco a paciência, até porque as lojas estão ficando cada vez mais insuportáveis. As músicas estão sempre altas demais para você poder ouvir a opinião do seu marido que está do seu lado já sem a menor paciência. De fato, fazer compras com um homem do seu lado não é a melhor opção também. Parece que eles carregam uma espécie de energia negativa que é imediatamente liberada quando você entra em uma loja de roupa, e isso vai te dando uma moleza e a sua paciência cai de 10 para 1 em 5 minutos. Você sai da loja de mau humor e com raiva por não ter achado nada de bom. Na verdade, o problema não foi que você não achou algo que prestasse, e sim, seu amigo/namorado/noivo/marido fez com que você ficasse cega a todas as coisas, ou melhor, roupas a sua volta.

Impressionantemente você volta a loja uma semana depois com sua irmã/amiga/mãe e começa a ver coisas incríveis que pareciam não estar lá antes, mas estavam sim! Isso acontece, pois toda mulher carrega em si uma energia positiva (ou não) de consumismo enlouquecedor que faz até aquelas que não queriam comprar, gastar. E aquelas que não tinham um centavo no banco, ficar devendo até as calças! Uma companhia feminina dentro de uma loja é como tomar um energético. Uma descarga de adrenalina rola solta no ar e a vontade de comprar é arrebatadora.

E o que fazer quando não se tem uma companhia para ir ao shopping? Para essas pessoas, como eu no momento, existem Visa! Para todo o resto existe Mastercard, American Express e etc etc e tal! Algum gênio inventou a compra online e por ele eu rezo todos os dias! Abençoado seja esse sujeito que proporciona momentos de alegria quando chega uma encomenda na sua casa. Nada melhor do que ficar de pijama e fazer compras pela Internet sem levantar a bunda da cadeira. E meu marido que não me ouça dizer isso…

Não dizem que mulher no volante é um perigo constante? Pois eu digo que uma mulher com um cartão na mão e acesso a Internet, isso sim é um perigo constante!

Welcome to Utah


25 anos na cara e carteira de motorista há 7 anos e cá estou eu tendo que ler um manual do motorista para tirar minha carteira de Utah. Como virar para esquerda apenas quando o sinal estiver verde. Virar a direita sem ligar para o sinal, somente se preocupando com os pedestres atravessando a rua. Para mudar de faixa, não pode só olhar pelo retrovisor… tem que virar a cabeça para a janela para confirmar se realmente é possível mudar de faixa. Na hora de passar a marcha ré, meu bem, tem que botar a mão no banco do carona e virar a cabeça totalmente para trás. 20 milhas por hora no horário escolar, mas só quando as luzes do sinal estiverem alertando para você reduzir, 25 milhas por hora em bairros residenciais… isso é uma TORTURA! Eu juro que tento ler, mas não dá. Isso é chato demais. As leis poderiam ser todas iguais e isso pouparia o meu tempo. Estou há horas lendo, simplesmente porque me perco nas palavras de tão cansativas que elas são. O mais inacreditável é que dizem que em Utah é possível encontrar os piores motoristas dos Estados Unidos. Eu achava que isso era uma piada, considerando que eu dirigia no Rio de Janeiro todos os dias e chegava em casa querendo matar alguém de tanta raiva que eu sentia dos motoristas. A conclusão que eu cheguei é bem simples: no Rio, não estão os piores motoristas, mas sim, os mais impacientes do mundo. Aqui, quando os sinais dos cruzamentos param de funcionar, a polícia nem precisa aparecer para coordenar o trânsito… todo mundo é paciente e calmo o suficiente para dar a vez para o outro e esperar a próxima chance de avançar. Isso é mágico, mas essa paciência toda também me irrita.  Se tem um cara na sua frente extremamente lento, as pessoas atrás dele são INCAPAZES de mudarem de faixa para irem mais rápido… elas ficam ali… bem calmas…esperando…a chance…de irem… mais…rápido! Isso me irrita também! VAMO LOGO, P%$#&^*!!!! Eu logo mudo de faixa, pois não tenho saco de ficar atrás de gente lenta. Não adianta… eu reclamo, reclamo, reclamo, mas minha alma é de certa forma carioca e totalmente estressada.

Creepy


Estavamos em um restaurante tailandês esses dias e do nosso lado estava um grupo de 3 amigos comemorando o aniversário de um deles. Normal. Ele cantaram parabéns, se abraçaram, trocaram presentes, tiraram fotos e resolveram partir o bolo que um deles havia trazido de casa. Nem liguei. Mais uma vez: normal, né? Do  nada, um deles vira para trás com um pratinho contendo um mega pedaço de bolo e me entrega com um sorriso de uma orelha a outra. Antes de ir para o restaurante eu estava com saudade do Rio de Janeiro. De repente, eu não estava mais com saudades. Fiquei tão feliz que aquele grupo de amigos que nunca havia nos visto na vida decidiu dividir com a gente um momento de alegria deles, que esqueci da cidade de onde vim. Isso era uma das coisas que eu sentia muita falta no Rio de Janeiro. As pessoas não sorriem para você na rua de graça, elas dificilmente pedem desculpa quando esbarram em você e ainda acham que a culpa é sua de estar na frente delas. Aqui é simplesmente incrível como diariamente as pessoas perguntam como eu estou e sorriem para mim o tempo todo. Da vontade de falar para a pessoa: ” oi, quer ser minha amiga?”… mas, isso seria definitivamente muito creepy demais.

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